Não-sentimental

Imagem de chandelier, art, and Sia

Eu tenho raiva de mim todo dia. E me censuro pelas coisas estúpidas que faço o tempo todo. Como manter a minha dieta por apenas algumas horas.

Odeio quando sou rude com você. Acredite, dói mais em mim. Odeio o modo como eu desprezo seu amor e digo que não importa o que você sinta por mim, isso não vai solucionar os meus problemas. Eu odeio não dar prioridade aos meus amigos, eu odeio não dar prioridade às minhas vontades. Vejo a vida passar enquanto faço planos demais e não consigo concretizar nenhum. Começo mil projetos – na minha cabeça – o tempo inteiro. E é tão difícil lidar com essa minha mente. Entende? São tantas vontades, não cabem em uma planilha do Excel. Não sei administrar, não consigo me organizar. Enquanto isso, o tempo voa.

Tudo me irrita, inclusive esse seu ritmo devagar. Lento, como se quisesse me acalmar. Funciona por algumas horas até que você se vá. E sem sua presença eu só sei enlouquecer e me perder entre as listas que faço de tarefas a serem cumpridas, listas eternas e nunca finalizadas. Não tenho disciplina, não sou autodidata, quando é que vou me conformar? Quando é que vou me conformar com o fato de que a única coisa que eu sei fazer além de escrever alguns parágrafos, é assistir filmes e ler livros? A vida podia ser só isso. Inclusive, foi por isso que dispensei a minha terapeuta: para ficar em casa assistindo Netflix. Quer jeito melhor de aproveitar o tempo?

Lembrei de mais uma coisa que eu odeio: Estar apaixonada por você. Isso me leva para o conforto e o alívio, para as tardes de bobeira, comendo chocolate na sua cama e rindo de piadas sem sentido. Mas eu não quero me sentir aliviada. Eu não quero relaxar, entende? Sinto a vida passando rápido demais e sinto que tenho que vivê-la, que tenho que senti-la, antes que ela escape. É uma questão de milésimos de segundo, a nossa existência. Você percebe? Eu só quero cumprir todas as tarefas da minha agenda e ainda ter tempo para sonhar, cantar, dançar e ir ao teatro. Eu não consigo nem cumprir as tarefas da minha agenda, imagine só o resto. Imagine só se tenho tempo para as coisas mais importantes (não tenho). Quase sempre me sinto como uma velha que perdeu o vigor da juventude. Eu só queria dançar. Mas não tenho mais toda essa energia.

escrito em um espirro

Imagem de art

Ele gritou. Eu disse não. A gente sempre vai na contramão e não e não e mãos e sãos. E somos. Ou estamos? Indo. Ou parando? Chegamos, aliviados. Era errado e automático, era a minha fala que gemia e te encolhia. Enquanto isso, alguém dizia que eu era inevitável, em cada coisa irremediável. Não se atreva a falar, só olha para mim. Mas olha bem, olha me enxergando, tá? Está chovendo, não está? A chuva é linda e a noite é mais bonita ainda. Até quando, Deus? Até quando, respondeu. E acordou. Era tudo um sonho.

Você me disse para ter calma, mas era tudo um sonho e você não sabe de nada. Eu sei de tudo, eu sou um mundo. Eu sou o planeta que você quer explorar e que gira. E gira, e gira, e gira. Respira. E gira, e gira, e gira sem parar. Até se cansar. Você não se cansa de mim? Você disse que já sabia, mas eu queria te contar. Eu queria, porra! Me deixa. Me beija. Me seja. Você me prende demais, eu só queria ser mais. Mais do que isso que eu já sou, muito mais do que esse infinito que eu já sou. Acordei. Era tudo um sonho.

E assim, fico aqui sentada. Calada. Mais atordoada do que concentrada. Me deixa. Me beija. Me seja.

Não posso parar, e não quero. Me deixa em paz, tá? Já vai, já vou. A gente vai, nós é que não vamos. Não temos o mesmo destino, você sempre soube que eu não sei fazer versos. Já não quero mais que você leia essa maldita carta careta de amor. Vou jogá-la fora assim que terminar essa página, é isso. Deixa doer. Deixa arder. Meus pulsos já não sangram mais. Ai.

Minha mão dói tanto, mas não posso parar. Preciso terminar essa carta maldita dos devaneios tristes que somem em suspiros de estourar as veias. Vou cortar os pulsos. Chega! E era tudo um sonho.

O cansaço me machuca e me atropela e, mastigada pelos meus sonhos frustrados eu berro em palavras escritas, que é pra não incomodar ninguém. Não queria ser mais melancólica do que Caio Fernando em estado terminal, quem lê deve realmente acreditar que eu sou uma pessoa triste.

Eu sou uma pessoa triste?

Até logo. Até logo? Eu não quero ir embora, mas também não quero ficar aqui. Acho que vou fazer isso todo dia, essa maldição de escrever na contramão a minha insensatez.

Eu te amaldiçoei e você nem percebeu. Te condenei a não me esquecer e depois te envenenei. Você sentiu o doce mel da ilusão e vomitou. Você não morreu. A gente disse o não dito através de versos bem-vindos. A gente disse o que queria não ter dito. Mas a poesia era só nossa. A poesia de todo o mundo se tornou nossa em um instante em que tudo transbordava, os corpos transbordavam. Mas eu não te quero aqui. E era tudo um sonho. Não era?

Não era.

A moça do escritório

Imagem de girl

Queria entender porque as pessoas são sempre tão mesquinhas. Porque se preocupam com as coisas menos importantes. Porque esqueciam que ela estava ali sozinha, e de todas as outras pessoas que estavam nos seus respectivos cantos, sozinhas. Em seus cantos nem sempre tão aconchegantes.

Escrevia na esperança de jogar fora aquela sujeira e escrevia na esperança de que alguém lesse – e de que isso talvez pudesse mudar o mundo. E as frases corriam e escorriam em sua mente, escapuliam por entre os dedos nervosos que batiam com pressa nas teclas e faziam um barulho enorme ao imprimirem as letras da máquina de escrever. Não havia back space naquele dia. E o que ela escrevia, as teclas que pressionava, estariam gravadas para sempre.

Daqui um ano, talvez, tudo fosse diferente. Alguém leria aquelas bobagens escritas erradas por causa da pressa e da quantidade de nível alcoólico no sangue e se perguntaria “Ora, quem escreveu isso? Em que mundo essa pessoa vivia?”. E todos ao redor ririam satisfeitos segurando seus copos de Whisky e fumando seus charutos, contentes com a nova piada da vez. A moça abaixaria a cabeça e omitiria o fato de ser o motivo daquela piada. Porque nada havia mudado e aqueles tolos sequer percebiam. Não percebiam que viviam todos exatamente como há cinquenta anos, porém com trajes diferentes. A moda muda, as pessoas continuam podres por dentro. É como um livro com várias edições, com a exceção de que a a gente sempre aprende mais com os livros.

Pegou seu copo de Whisky e tomou um gole caprichado. Sentiu um arrepio e se perguntou porque tomava aquilo. Mais uma moda? O gosto era horrível e a bebida deixava seu corpo mole, incapaz de raciocinar – ou teclar – com clareza. Queria que inventassem uma caneta conectada ao pensamento, cadê a praticidade toda da coisa? Seria fácil vender, basta dizer que não precisariam fazer nenhum esforço. Ninguém quer fazer esforço. Nem por si mesmo.

E quis dormir. Bebeu mais um gole generoso, digitou sua última frase – já que o álcool deixara seus dedos fracos também -, se debruçou ali mesmo, sobre a mesa do seu “escritório improvisado” e dormiu. Porque atualmente era o que lhe deixava feliz, estar dentro de si e dos seus pesadelos era menos aterrorizante do que viver no mundo real.

Uma noite mais preta do que café

Imagem de cigarette, coffee, and smoke

Em uma noite de lua nova, estava eu e minha companheira inseparável – uma xícara de café, pronta para adoçar e amargar a vida – mergulhadas nos cantos mais recônditos da imaginação, juntas nas horas mais sombrias, como de costume. Foi quando ouvi um barulho estranho. A princípio, imaginei que fosse o efeito da cafeína, que provavelmente já era mais presente no meu sangue do que os próprios glóbulos vermelhos. Fiquei alerta por alguns segundos, mas o silêncio se instaurou novamente.

Gosto muito de ficar assim, no escuro do meu canto. Com todas as cortinas fechadas durante o dia, e com a vista do céu estrelado à noite. O vento frio entrando, o barulho de poucos carros lá fora, às vezes o grito de algum bêbado. Mas nesta noite, em especial, o silêncio era quase absoluto. A única coisa que eu ouvia eram os meus dedos batendo no teclado do computador e, por um instante, aquele som. Já tinha esquecido, não me preocupava. Pelo menos não me preocupou até surgir de novo, de dentro do vazio, aquele barulho metálico. Dessa vez mais forte e mais irritante. E depois parou.

Resolvi fazer o que qualquer pessoa em sã consciência – e que acabou de ouvir um barulho estranho quando está sozinha em casa – faria. Liguei a televisão. Estava sendo transmitido o show do Metallica. Ótimo. Aumentei o volume e disse para mim mesma que era porque eu amava aquela música. Beleza. Tudo sob controle. Alguns minutos assim quando de repente ouço alguma coisa bem grande cair na cozinha. Puta que me pariu. Foi só uma panela, o meu lado sensato disse, tentando me tranquilizar. A xícara na minha mão já estava vazia. Chega de café, pensei. Daqui a pouco vou ter que ir para a clínica de reabilitação. Overdose e fortes delírios depois de sete xícaras cheias de café.

Eu precisava ir até a cozinha deixar a xícara. Na verdade, eu não precisava não. Mas eu queria ir, porque poderia ter um rato perambulando por lá. Ou um ladrão, ou um monstro, ou um disco voador. E como mulher adulta e responsável, dona de casa e solteira, eu tinha o dever de defender o meu lar.

Cheguei na cozinha com a xícara na mão e o coração na boca. Pé ante pé, fui abrindo caminho entre armários e vasilhas. Minha cozinha nunca foi tão grande e escura quanto nesses longos minutos. Acendi a luz e fechei os olhos, me sentindo estúpida. E então ouvi um miado, mais agudo e mais arrastado do que qualquer outro que já tivesse ouvido. Abri os olhos, olhei para a janela e respirei, surpresa e aliviada: Dois olhos verdes e felinos me encaravam, mas não eram olhos de nenhum monstro ou fera bestial. Era um filhote de gato que tinha surgido de algum lugar e entrado na cozinha pela janela aberta. Estava ainda mais assustado do que eu. Bem pequenininho e estabanado, já tinha derrubado um monte de utensílios e se preparava para fugir quando me ouviu chegar.

-Não foge não, neném! Vem cá…

Olhou para mim, superior e delicado, e pensou quinhentas vezes se valia mesmo a pena confiar naquela humana. Mas ao poucos, acabou cedendo. Veio em passos lentos e alguns minutos depois já estava aninhado no meu colo. Era uma bolotinha preta que continha duas esmeraldas verdes na cara, a princípio desconfiadas – como deve ser um gato que se preze – e depois muito acolhedoras. Tão acolhedoras que, a partir daí, foram acolhidas como as pedras mais preciosas daquele meu mundinho escuro regado a café.

E pode até ser que você ainda não tenha se convencido de que não tinha mesmo nada de ameaçador na minha cozinha. Pode ser também que você seja uma daquelas pessoas cheias de preconceitos contra gatos pretos de esmeraldas verdes na cara. Mas uma coisa eu posso lhe garantir: Depois dessa noite, eu, a xícara e a bolotinha preta vivemos felizes para sempre. Ou pelo menos por um tempo.

Não existe paixão calada

Imagem de book, sea, and cigarette

Resolvi começar um texto, mas não sei exatamente sobre o quê. Tenho tanto a dizer e nada a acrescentar. Ler os meus textos não vai mudar a sua vida, me desculpe decepcioná-lo. Tenho mesmo é necessidade de escrever. Qualquer coisa, que seja previsão astrológica falsa ou uma anedota sem graça. Que seja para contar sobre os pirralhos que vivem jogando bola lá na rua da minha casa, ou só pra falar mesmo do quanto eu sofro quando eu sinto assim tudo tão junto e tão rápido e tão intenso e tão devagar.

Eu queria mesmo era falar de você. Pronto, é isso. Por muito tempo evitei qualquer pensamento e bloqueei qualquer inspiração ou impulso que me fizesse escrever um texto sobre como você me faz sentir, sobre como você me deixa nervosa, perdida, com as bochechas coradas e tropeçando até no ar. Eu evitei sim, porque quando a gente escreve – e pior ainda é quando a gente fala ou grita aos quatro cantos para o mundo ouvir – os sentimentos se tornam ainda mais reais e fica muito complicado querer se livrar deles quando for preciso.

“Paixão deve ser coisa discreta, calada, centrada. Se você começa a espalhar aos sete ventos, crau, dá errado”, já dizia Caio Fernando. Eu nunca segui o seu conselho. Nem ele mesmo seguia, afinal.

É por isso que sempre dá tudo tão errado comigo? Me explique, por favor. Me ensine a ser mais calma e mais sensata como você. Me ajude a ser menos louca e menos histérica e menos exagerada e impulsiva.

Queria tanto raciocinar nessas horas de desespero, queria tanto fazer o cérebro se sobrepor quando o coração ameaçar bater forte demais. Mas eu simplesmente não consigo e acho que até gosto desse meu descontrole temperamental. Desse meu jeito de perder to-tal-men-te o rumo do meu caminhar, dos meus pensamentos, das minhas palavras e dos meus sentimentos, quando te vejo andando na minha direção. É fácil me enlouquecer. Basta você existir perto de mim.

A leveza da força

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Eu ando tão sensível. Sensível, mas não frágil. Sacou a diferença? Ando cheia de mim, ciente do meu poder no mundo. Corajosa. Mulher. Quando eu tentava me esforçar para mostrar que era forte e durona, aí que eu era frágil. A maior fraqueza é tentar se esconder. Se revestir de gelo e não deixar ninguém entrar. Não se entregar, não se desnudar. Viver no seu próprio mundo, e apenas nele. Isso é fraqueza. É preciso uma força gigantesca para doar-se. Doar-se é doer-se, acabei aprendendo. Isso porque compartilhar as suas fraquezas é a maior prova de força de um ser humano.

Então, quando digo que ando tão sensível, quero dizer que me sinto mais receptiva e aberta a novas possibilidades. Novos amores, novas viagens, novos sentimentos e descobertas. Estou disposta a me arriscar, a me jogar do abismo.

Ás vezes me enxergo empoeirada, com o coração e a alma cansadas de bater a cara no muro. De meter a cabeça na areia e da falta de ar que isso causa. Ás vezes esqueço quem sou e quem é realmente importante na minha vida. Aí minha vida se transforma em um rio calmo e lamacento que me arrasta para sabe-se lá onde, quando o que eu queria mesmo era navegar pelo mar bravio.

Acordo e faço tudo que “devo” fazer, o que esperam de mim. Sorrio para as pessoas – nem sempre, mas tento. Sigo a minha dieta corretamente – isso é mentira. Vou à faculdade, vou à festas, passo pelos lugares sem saber por que estou ali, passo por onde me levam. Vou com a maré e adormeço. Me deixo ficar dormente. Ponho o meu fone de ouvido e ignoro o mundo o máximo que conseguir. Não quero saber do carinha que está olhando para mim do fundo do ônibus. Não vou fazer esse trabalho hoje, porque ainda é para o final do mês. Não vou ler os livros maravilhosos que tenho na minha estante, porque vou ter a vida inteira para lê-los (será mesmo?). É mais fácil ouvir a música mais triste e pensar no meu ex.

Esquece, gata. Assim a vida não anda.

Nesse momento eu preciso que alguém – qualquer um, pode até ser você – jogue um balde de água fria na minha cabeça e aponte os meus erros. E me diga que eu preciso faxinar o meu coração. E que eu nunca vou esquecer o meu ex se eu não olhar para o carinha do fundo do ônibus. Ou do fundo da sala. Ou do meu lado. E que eu nunca vou saber o que eu quero e sair do mesmo lugar se eu não nadar contra a correnteza. Eu não posso deixar nada para depois porque a vida é feita agora, e cada momento é um presente, e cada presente jogado fora muda todo o meu futuro. Compromete os meus sonhos que já poderiam ter se realizado se eu tivesse a coragem de levantar a porra da bunda do sofá e ir fazer qualquer coisa que eu tenho vontade, mas que vivo adiando.

E esse texto é pra falar sobre isso. Tem que saber ser leve para não deixar as suas feridas te pesarem. Tem que ser leve, mas com direção. É pra mandar uma luz para todas as pessoas que se sentem perdidas às vezes – eu sei que você sente isso – e para dizer que há esperança. Cafona dizer isso, mas vou dizer. A luz não está no fim do túnel, amiguinhos. A luz está dentro de cada um de nós.

Motivos desmotivados

I wish my dreams were reality.

Passando os meus dias à deriva, me deixando levar pela brisa que entra pela janela, mas que não me refresca. Fechei as persianas, mas o sol entrou mesmo assim. Não para me esquentar, mas para me abafar. Não sei que dia é hoje, e não me importa. Não quero que fique registrado o dia em que fiquei tão melancólica. Tenho muitas dúvidas, mas não me importa.

Sabe o que eu faço para melhorar? Vou no mercadinho do seu Bené e gasto todos os meus trocados em bombom Prestígio, que é a coisa mais doce que eu vou conseguir provar agora. Não me venha falar de motivos, meus motivos são todos desmotivados. Só quero ficar aqui. Deitada à meia-luz da minha cama fria, esperando por alguma coisa nesse estado sonolento em que o sonho aos poucos se torna a minha própria realidade.

Quero olhar o pôr-do-sol de cada dia como se fosse o primeiro, mas não quero reagir a ele. Estou exausta. De viver, de ir em busca do que a vida tem para me tirar e de encontrar desencontros. Não quero encontrar quem me faz perder. Não quero ter o trabalho de fazer dieta, acordar cedo, fazer amizades, ir à lugares interessantes, procurar emprego, me arrumar, conhecer homens, ser culta, ver os filmes do Oscar, do Kubrick, do Godart, ter opinião formada ou aprender a cozinhar. Tudo isso me cansa. Eu estou exausta.

Escrevi mais do que eu disse

Illustration vol. V bis

Ás vezes dá até vontade de seguir seus conselhos baratos do tipo “não seja louca” ou “siga seu coração”. Mas não consigo. E até hoje estou tentando descobrir qual é a cor exata do seu olho, porque ele sempre se fecha em consequência do sorriso que se abre quando me vê. E eu tentei te dizer que eu adoro o fato de você sempre repetir as mesmas camisas, porque eu adoro todas elas. E que eu tenho um medo sufocante de você ir embora do nada, desaparecer da minha vida sem avisar.

Eu adoro quando você se lembra das histórias que vivemos e das bobagens que eu disse um mês atrás – coisas que nem eu lembrava, considerando que eu falo muita merda o tempo todo. E eu queria te dizer tanta coisa, mas não dá pra te dizer isso olhando nos seus olhos, entende? Porque eu decoraria e repassaria meu texto com todas as intenções e entonações corretas – como uma boa atriz – e esqueceria tudo assim que te encarasse. A minha saída foi escrever, fazer o quê?

Escrever assim desse jeito desorganizado é, na verdade, uma tentativa de me organizar. Escrever sobre coisas que eu deveria dizer para alguém.

Eu queria te dizer que você pode voltar quando quiser. Pousar no meu colo e ficar. Não precisa ter medo de me amar, eu juro que sou legal. Posso até parar de beber e te fazer cafuné todos os dias, é só pedir. E posso até ignorar o fato de que os nossos signos não batem de jeito nenhum e que somos completamente diferentes. E lembrando de como você sempre me surpreende, eu tenho cada vez mais a certeza de que estou perdida. Perdida, encantada, louca. E não me peça para ser menos louca, porque com você a minha loucura só aumenta.

O amor é uma bobagem

Imagem de flowers, grunge, and indie

Hoje eu estava lembrando daquele dia em que eu quebrei meu pé e meu coração por você. Eu tinha bebido demais e inventei de fazer qualquer gracinha para te impressionar, mas tropecei e caí. Fui para casa carregada pelos meus amigos que acharam que o meu choro tinha a ver com a lesão e o inchaço, mas o que mais doía mesmo era meu coração. O aperto no peito durou alguns dias.

Tive bastante tempo pra curtir a fossa, já que só ficava em casa por recomendações médicas e tendo como única companhia as minhas muletas. Lembro que foi por esses dias que assisti ao filme da Frida Kahlo e chorei horrores, achando a minha vida tão difícil quanto a dela e me sentindo a maior vítima dos acasos do universo. Bobagem. Com o tempo a gente aprende que um coração quebrado cura mais rápido e melhor do que um tendão lesionado.

Foi assim que eu lembrei disso hoje. E lembrei de todos os amores que já tive e de todas as vezes em que eu achei que nunca mais fosse amar de novo. Do quanto eu sofri encolhida na cama, soluçando muito e prometendo a mim mesma que era a última vez que um babaca como aquele me faria chorar. E não foi. Lembrei dos meus quatorze anos, quando eu me apaixonei por um loirinho que nem sabia o meu nome. E nem sabia das tantas vezes que o nome dele aparecia no meu diário e nem do sonho que eu tive, em que ele me abraçava forte e prometia nunca me abandonar.

Também estou lembrando daquele cara que conheci mês passado e de como achei que a gente tinha uma conexão telepática-fisico-espiritual, e que dessa vez podia dar certo. Mais bobagens, eu suponho. Bobagens das quais não me arrependo, nem de ter vivido, nem de ter sonhado. Bobagens sem sentido, mas com toda a razão que uma paixão pode ter. E o que seria da vida sem as paixões? O que seriam das paixões sem as bobagens?

Eu só sei que eu prefiro mil vezes um coração partido a um vazio. A gente tem que correr riscos, tentando, amando e quebrando a cara. E não importa se a gente tem quatorze, vinte e três, ou cinquenta e quatro anos. Sempre vai ter alguém que pode tirar o seu chão só por não estar por perto. E a isso chamamos bobagem. Ops, amor.

O primeiro post é sempre o primeiro post

“E eu quero as cores e os colírios, meus delírios…estou ligada num futuro blue.”

Oi pessoal! Meu nome é Maya Marques, tenho 20 anos. Não sou tão nova na blogosfera (se é que alguém ainda usa esse termo) já tive um blog que comecei em 2010 com 15 anos e durou até 2013. O blog chamava “Eu quero tudo!”, para o caso de você ser curioso o suficiente para jogar no Google. Eu poderia colocar o link aqui? Poderia. Mas estou me desapegando do passado (ui!) hahahah.

2015-09-07 20.14.00

Enfim, aos poucos fui abandonando meu antigo blog por falta de tempo para postar – foi na época que eu entrei na faculdade de Publicidade e no Teatro no mesmo ano e a minha rotina era tipo, UOW, PRECISO DE TEMPO PRA RESPIRAR – e depois tive muita preguiça de voltar. Agora decidi começar do zero, até porque eu não me interesso mais pelas mesmas coisas, portanto não vai ser o mesmo tipo de conteúdo. Claro, qualquer blog ou texto que eu escreva vai ter sempre o meu jeitinho, mas convenhamos: eu não tenho mais dezessete anos. Não que eu seja suuuuper madura, longe de mim afirmar isso, hahah. É só que o meu foco agora é um pouquinho diferente.

E isso já puxa um gancho para o nome desse blog, url, site, endereço de web em que você está situado. Mas que pra mim, é um pedacinho do meu mundo que estou disposta a dividir com outras pessoas. O nome é o título de uma música cantada pela Elis Regina, que na verdade se chama 20 anos blues. É uma música linda que fala dos dramas de qualquer jovem de vinte e poucos anos, todas as pressões da vida adulta, todas as cobranças de si próprio para se tornar quem um dia sonhou. Enfim, é uma música que tem a ver com o atual momento da minha vida e acredito que com alguns de vocês, porque não existe nenhum sentimento exclusivo a uma única pessoa.

Ás vezes a gente sofre por coisas bobas, mas que tem um significado enorme para nós. E nos esquecemos das outras pessoas espalhadas por esse vasto mundo que sentem as mesmas angústias. Os mesmos desejos frustados. As mesmas paixões desesperançadas. E muitos sentimentos bons também. E é isso que é legal de ter blog: compartilhar coisas (nem que seja uma receita de bolo) e receber retorno em comentários e opiniões. Só que de um jeito um pouco menos zueira do que no Facebook. Bacana é saber que o que eu escrevo tem algum efeito nas pessoas.

Eu poderia escrever para mim mesma? É claro que eu poderia, porque escrever é uma coisa que eu amo. Nunca parei, mesmo distante do blog. Tenho uma pasta no meu computador só de textos que escrevi. E tenho um diário. Sim, sou uma mulher adulta e tenho um diário, e daí? Tive diários a minha vida inteira, e além do blog também já escrevi muita fanfic do RBD e do HSM – me julguem. Mas além de escrever, eu gosto de saber em que proporção as minhas palavras afetam as outras pessoas. Se eu não pudesse mudar ou mexer com o pensamento de alguém não teria tanta graça. Eu quero compartilhar um pouco de mim com vocês, porque somos todos tão parecidos – embora às vezes achemos que somos o centro do universo – e ao mesmo tempo, tão singulares.

Bom, o que era para ser um textinho de apresentação acabou virando uma auto-biografia cheia de filosofias. Então é melhor eu parar por aqui antes que eu comece a perguntar “de onde viemos? para onde vamos?”, hahah. Espero vocês nos próximos posts desse blog que mal conheço e já considero pacas. Mil beijos!

P.S.: Saudades fanfics do orkut (que na época eram chamadas de web-novelas).

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