O gato bebe leite, o rato come queijo, e eu sou um palhaço

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Filme “O Palhaço” (2011)

Acalma teu coração, artista. Fazer arte também é saber esperar. Fazer arte não é só sentir o corpo em chamas, é também meditar no alto da montanha, é também reparar nas milhares de luzes da cidade que se parecem um céu estrelado na terra, é interpretar um vento forte como um sinal de sei lá o quê, é escutar uma música e querer sair dançando pela rua, é se achar esquisito entre os engravatados, é se sentir frustrado quase o tempo todo. É ter uma angústia que aprisiona o coração, um bate não-bate, uma lágrima que não cai, um gozo interrompido (porque sou artista e porque sou humana). Artista quer aceitar que faz arte e que essa é a sua sina e ponto final, mas primeiro é preciso não depender da opinião de mais ninguém. Então, vamos fugir com o circo?

Sou o coringa do mundo, sou um palhaço. Sou o louco, a criança, sou aquele que se lança em busca de novidades e sensações. Ser artista é ter os poros abertos do corpo e da alma, é absorver a humanidade dentro de si. É ser capaz de espelhar a si mesmo em um palco, é sentir um fogo, uma fogueira por dentro. É procurar constantemente lenha para alimentar essa fogueira, é ter medo de que se apague. Do que tens medo, artista?

Tenho medo de mostrar como sou fraco, não sou nada e faço o que faço porque só assim a vida tem sentido. Sim, dramático. Eu sou artista e não sei o que digo, e não sei o que faço. Só sei que tem alguma coisa dentro de mim que precisa sair (e não é um filho). Essa coisa é uma criação, não sei o que ou quando vem, mas está vindo. Sim, está vindo cause the times they are a-changin.

Esse é o meu momento de loucura, é o meu momento! Deixa eu ser palhaço, deixa eu ser artista, deixa eu ser a bailarina e o equilibrista. Deixa eu ser quem eu quiser, pelo menos por enquanto. Porque amanhã já é segunda-feira, o dia em que o mundo lá fora ofusca nossos sonhos de criança. Meus sonhos queimam o mundo enquanto a realidade me esmaga apertado. Deixa esse lampejo, essa faísca durar… enquanto ainda há fantasia.