Escrever até o fim, sem ponto final

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Escritor tem pensamentos em prosa, palavras que precisam ser escritas antes de serem ditas. A necessidade de escrever é um bichinho inquieto, uma vozinha que sussurra no ouvido versos sobre pequenos detalhes do cotidiano. Todo escritor é um romântico à moda antiga, um sonhador. Ao invés de falar o que sente,  ele prefere derramar em segredo seus sentimentos no papel. Pensa mil vezes antes de dizer algo, e muitas vezes acaba não dizendo. Mas não fica engasgado: Faz uma poesia.

A escrita não é nenhuma dádiva de Deus. É sangue e suor, e muitas vezes é a única alternativa. Alguns escrevem porque só sabem fazer isso, outros porque querem ajudar alguém de alguma forma, outros só para se sentirem melhor. Uma coisa é fato: Quem escreve se organiza, se entende e se conhece muito mais. O texto é uma descoberta, de si mesmo e do mundo. Isso porque escrever é abrir caminho para um universo de infinitas possibilidades – e poder levar outras pessoas junto. Escreve-se algo que não deveria passar despercebido, escreve-se para gravar na história um sentimento (ou um diálogo, ou uma pessoa), escreve-se desesperadamente quando não há outro meio de expressar a vastidão de ser humano.

Como reconhecer uma alma de escritor: Pode ser um sujeito aparentemente calmo e reservado, ou pode ser um bêbado cínico. Muitas vezes pode parecer frio, mas não se engane. Escritor é um ser sensível, não sentimental. Escritor é, antes de tudo, observador. É um curioso ávido pela vida, um admirador das pessoas e da natureza, um ser misterioso – até perigoso, eu diria. Um escritor tem vários “eus” dentro de si e inúmeras aventuras a viver. Porém, por mais que eu tente desvendar o olhar de quem escreve, estou certa de que a melhor definição seja mesmo a de Drummond: “Escritor: não somente uma certa maneira especial de ver as coisas, senão também uma impossibilidade de as ver de qualquer outra maneira.”

Feliz Dia do Escritor!

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O gato bebe leite, o rato come queijo, e eu sou um palhaço

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Filme “O Palhaço” (2011)

Acalma teu coração, artista. Fazer arte também é saber esperar. Fazer arte não é só sentir o corpo em chamas, é também meditar no alto da montanha, é também reparar nas milhares de luzes da cidade que se parecem um céu estrelado na terra, é interpretar um vento forte como um sinal de sei lá o quê, é escutar uma música e querer sair dançando pela rua, é se achar esquisito entre os engravatados, é se sentir frustrado quase o tempo todo. É ter uma angústia que aprisiona o coração, um bate não-bate, uma lágrima que não cai, um gozo interrompido (porque sou artista e porque sou humana). Artista quer aceitar que faz arte e que essa é a sua sina e ponto final, mas primeiro é preciso não depender da opinião de mais ninguém. Então, vamos fugir com o circo?

Sou o coringa do mundo, sou um palhaço. Sou o louco, a criança, sou aquele que se lança em busca de novidades e sensações. Ser artista é ter os poros abertos do corpo e da alma, é absorver a humanidade dentro de si. É ser capaz de espelhar a si mesmo em um palco, é sentir um fogo, uma fogueira por dentro. É procurar constantemente lenha para alimentar essa fogueira, é ter medo de que se apague. Do que tens medo, artista?

Tenho medo de mostrar como sou fraco, não sou nada e faço o que faço porque só assim a vida tem sentido. Sim, dramático. Eu sou artista e não sei o que digo, e não sei o que faço. Só sei que tem alguma coisa dentro de mim que precisa sair (e não é um filho). Essa coisa é uma criação, não sei o que ou quando vem, mas está vindo. Sim, está vindo cause the times they are a-changin.

Esse é o meu momento de loucura, é o meu momento! Deixa eu ser palhaço, deixa eu ser artista, deixa eu ser a bailarina e o equilibrista. Deixa eu ser quem eu quiser, pelo menos por enquanto. Porque amanhã já é segunda-feira, o dia em que o mundo lá fora ofusca nossos sonhos de criança. Meus sonhos queimam o mundo enquanto a realidade me esmaga apertado. Deixa esse lampejo, essa faísca durar… enquanto ainda há fantasia.