escrito em um espirro

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Ele gritou. Eu disse não. A gente sempre vai na contramão e não e não e mãos e sãos. E somos. Ou estamos? Indo. Ou parando? Chegamos, aliviados. Era errado e automático, era a minha fala que gemia e te encolhia. Enquanto isso, alguém dizia que eu era inevitável, em cada coisa irremediável. Não se atreva a falar, só olha para mim. Mas olha bem, olha me enxergando, tá? Está chovendo, não está? A chuva é linda e a noite é mais bonita ainda. Até quando, Deus? Até quando, respondeu. E acordou. Era tudo um sonho.

Você me disse para ter calma, mas era tudo um sonho e você não sabe de nada. Eu sei de tudo, eu sou um mundo. Eu sou o planeta que você quer explorar e que gira. E gira, e gira, e gira. Respira. E gira, e gira, e gira sem parar. Até se cansar. Você não se cansa de mim? Você disse que já sabia, mas eu queria te contar. Eu queria, porra! Me deixa. Me beija. Me seja. Você me prende demais, eu só queria ser mais. Mais do que isso que eu já sou, muito mais do que esse infinito que eu já sou. Acordei. Era tudo um sonho.

E assim, fico aqui sentada. Calada. Mais atordoada do que concentrada. Me deixa. Me beija. Me seja.

Não posso parar, e não quero. Me deixa em paz, tá? Já vai, já vou. A gente vai, nós é que não vamos. Não temos o mesmo destino, você sempre soube que eu não sei fazer versos. Já não quero mais que você leia essa maldita carta careta de amor. Vou jogá-la fora assim que terminar essa página, é isso. Deixa doer. Deixa arder. Meus pulsos já não sangram mais. Ai.

Minha mão dói tanto, mas não posso parar. Preciso terminar essa carta maldita dos devaneios tristes que somem em suspiros de estourar as veias. Vou cortar os pulsos. Chega! E era tudo um sonho.

O cansaço me machuca e me atropela e, mastigada pelos meus sonhos frustrados eu berro em palavras escritas, que é pra não incomodar ninguém. Não queria ser mais melancólica do que Caio Fernando em estado terminal, quem lê deve realmente acreditar que eu sou uma pessoa triste.

Eu sou uma pessoa triste?

Até logo. Até logo? Eu não quero ir embora, mas também não quero ficar aqui. Acho que vou fazer isso todo dia, essa maldição de escrever na contramão a minha insensatez.

Eu te amaldiçoei e você nem percebeu. Te condenei a não me esquecer e depois te envenenei. Você sentiu o doce mel da ilusão e vomitou. Você não morreu. A gente disse o não dito através de versos bem-vindos. A gente disse o que queria não ter dito. Mas a poesia era só nossa. A poesia de todo o mundo se tornou nossa em um instante em que tudo transbordava, os corpos transbordavam. Mas eu não te quero aqui. E era tudo um sonho. Não era?

Não era.

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