A leveza da força

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Eu ando tão sensível. Sensível, mas não frágil. Sacou a diferença? Ando cheia de mim, ciente do meu poder no mundo. Corajosa. Mulher. Quando eu tentava me esforçar para mostrar que era forte e durona, aí que eu era frágil. A maior fraqueza é tentar se esconder. Se revestir de gelo e não deixar ninguém entrar. Não se entregar, não se desnudar. Viver no seu próprio mundo, e apenas nele. Isso é fraqueza. É preciso uma força gigantesca para doar-se. Doar-se é doer-se, acabei aprendendo. Isso porque compartilhar as suas fraquezas é a maior prova de força de um ser humano.

Então, quando digo que ando tão sensível, quero dizer que me sinto mais receptiva e aberta a novas possibilidades. Novos amores, novas viagens, novos sentimentos e descobertas. Estou disposta a me arriscar, a me jogar do abismo.

Ás vezes me enxergo empoeirada, com o coração e a alma cansadas de bater a cara no muro. De meter a cabeça na areia e da falta de ar que isso causa. Ás vezes esqueço quem sou e quem é realmente importante na minha vida. Aí minha vida se transforma em um rio calmo e lamacento que me arrasta para sabe-se lá onde, quando o que eu queria mesmo era navegar pelo mar bravio.

Acordo e faço tudo que “devo” fazer, o que esperam de mim. Sorrio para as pessoas – nem sempre, mas tento. Sigo a minha dieta corretamente – isso é mentira. Vou à faculdade, vou à festas, passo pelos lugares sem saber por que estou ali, passo por onde me levam. Vou com a maré e adormeço. Me deixo ficar dormente. Ponho o meu fone de ouvido e ignoro o mundo o máximo que conseguir. Não quero saber do carinha que está olhando para mim do fundo do ônibus. Não vou fazer esse trabalho hoje, porque ainda é para o final do mês. Não vou ler os livros maravilhosos que tenho na minha estante, porque vou ter a vida inteira para lê-los (será mesmo?). É mais fácil ouvir a música mais triste e pensar no meu ex.

Esquece, gata. Assim a vida não anda.

Nesse momento eu preciso que alguém – qualquer um, pode até ser você – jogue um balde de água fria na minha cabeça e aponte os meus erros. E me diga que eu preciso faxinar o meu coração. E que eu nunca vou esquecer o meu ex se eu não olhar para o carinha do fundo do ônibus. Ou do fundo da sala. Ou do meu lado. E que eu nunca vou saber o que eu quero e sair do mesmo lugar se eu não nadar contra a correnteza. Eu não posso deixar nada para depois porque a vida é feita agora, e cada momento é um presente, e cada presente jogado fora muda todo o meu futuro. Compromete os meus sonhos que já poderiam ter se realizado se eu tivesse a coragem de levantar a porra da bunda do sofá e ir fazer qualquer coisa que eu tenho vontade, mas que vivo adiando.

E esse texto é pra falar sobre isso. Tem que saber ser leve para não deixar as suas feridas te pesarem. Tem que ser leve, mas com direção. É pra mandar uma luz para todas as pessoas que se sentem perdidas às vezes – eu sei que você sente isso – e para dizer que há esperança. Cafona dizer isso, mas vou dizer. A luz não está no fim do túnel, amiguinhos. A luz está dentro de cada um de nós.

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