Sentimentos voadores não-identificados

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Eu vi nos olhos dele, o fim que aquilo daria. Dizem que os olhos são a janela da alma. Os dele eram negros, por mais verdes que fossem.

Estávamos deitados no terraço, abraçados e pelados, olhando as estrelas e imaginando qual delas seria um óvni. A lua iluminou o seu rosto e eu pensei em como ele ficava mais bonito assim, nu à luz da noite.

– Quando eu era criança, achava que ia ser abduzido. Eu ficava aqui para ser abduzido.

– Funcionou?

– Não. Quem dera. Os alienígenas só me capturaram, me analisaram… Mas não tive o privilégio de dar um passeio com eles.

Eu ri. Achava  graça em seus devaneios pessimistas de que a Terra era um péssimo lugar para se viver. Mas no fundo, acho que eu entendia. Concordava. Ele enxergava a vida de forma amarga, mas falava dela de um jeito doce. Como se fala de um grande amor que acabou, mas que nunca foi esquecido.

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