Aline

Art

Aline busca um grande amor, mas ninguém sabe disso. E você não pode contar, Aline me mataria se descobrisse que revelei seu segredo mais profundo. Ela é cruel. Mas ao mesmo tempo, é exatamente igual às mocinhas ingênuas dos romances que lê. Vive cantarolando alguma canção que só ela conhece e usa vestidos feitos pela avó.

Há muito tempo não a vejo, ou tenho notícias. Um conhecido me contou que a viu no metrô dia desses, com o cabelo cortado na nuca. Justo ela que tinha os cabelos longos mais lindos do mundo! Negros e escorridos pelas costas, combinavam com o seu olhar indecifrável.

Eu queria revê-la, mas nem Facebook a maldita tem, é cool demais para isso. Talvez tenha um tumblr, sei lá, um canto na internet de nome místico. E nele talvez poste fotos do céu e da lua, poemas eróticos que ela mesma escreve e músicas da banda indie folk do momento. Um dia me disse que sonhava muito com a morte.

– O que é isso, Aline? Pare de besteira!

Mas estava séria. Disse que sonhou com a própria morte e que em seu sonho ela tinha saído do corpo.

– Quando olhei para trás, me vi toda esfaqueada, sangrando no chão. Mas não tive medo, porque a morte segurava firme a minha mão e nela eu confiava.

Segurei firme a mão de Aline. Ela era de carne e osso e estava ali comigo. Só isso importava.

– Você é boba, Aline.

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